quarta-feira, 13 de julho de 2011

    Traziam consigo a folha de registro de batismo  da Paróquia de Verín, na província de Orense,seu pai José Alvarez e sua mãe Carmem Gonzales tiveram este único filho, Lauriano Alvarez em 16 de julho de 1891.
   Chegava ao Brasil já rapaz nos seus treze anos.Carmem irá trabalhar como governanta no Hospital dos Alienados,na Praia Vermelha.No que hoje é a Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
   Seu filho começa a trabalhar no ofício de barbeiro.
   Como todo imigrante poupar era a palavra de ordem.Ainda jovem se associa a Paschoal Medina, pai do futuro pintor  português Henrique Medina, renomeado retratista das mais importantes casas européias.Como é comprovado pelo documento de compra e venda datado de 12 de julho de 1920
   Não é a toa que o seu comércio tenha o nome de Photographia Medina. Em uma foto  tirada em finais de 1913 em seu atelier encontramo-lo pensativo com sua paleta .
   Este postal endereçado ao amigo Cristobal em Nytheroi desejava-lhe "Felizes entradas de Anno Novo".
   Com grande habilidade no trato  das imagens,das poses, nos bons preparos químicos seu negócio prosperou com rapidez. Seus atelies estavam sempre situados no centro comercial da cidade do Rio de Janeiro,onde sempre estiveram estabelecidos os mais renomados fotográfos da época.
   Tudo começou na rua da Carioca nº 6, antigo atelie de outro fotógrafo espanhol Paschoal Medina que o vendeu com todos os mecanismos fotográficos, movéis e utensílios pelo preço de sete contos e quinhentos mil réis.
   Na rua Gonçalves Dias n°19 sobrado, que é tomado por um incêndio e no endereço que mais ficou conhecido, Rua Gonçalves Dias nº 30 A, sempre com a marca  "Foto Medina".
   Patenteada na Localizadora Jupiter de Patentes e Marcas,como consta do Diário Oficial.
   A princípio  trabalhando com fotografia e papel, retratando cenas do cotidiano da época, casamentos,formaturas e fotos de estúdio. 
   Nas grandes escolas e universidades federais ainda se encontram quadros de formandos feitos por ele. Na Escola de Música, na Faculdade de Direito, na Faculdade de Medicina, no Colégio Pedro II lá estão.
   Imponentes na grande ocasião, eternizados por um clique que lhes tornará um monumento . 
   Além da habilidade com suas máquinas fotográficas trazidas da Europa e das sua paleta de crayons e pincéis, acordava ainda de madrugada e fotograva  o que hoje temos como pontos marcantes de nossa cidade.
  Que beleza a foto da Ilha Fiscal num amanhecer de junho da década de 20. O sol nascendo tinge de tons róseos o mar e o céu. As praias de Niterói ainda intocadas na sua natureza também elas clicadas e pintadas, fazem hoje dia parte do nosso acervo.
   Todo Rio de Janeiro e arredores servirá de motivos para várias fotografias.
   Chama-nos a atenção uma antiga foto com oito moças vestidas à espanhola...mantilhas, pentes de tartaruga,flores na cabeça e com  a seguinte dedicatória:
  "Para que te recuerdes de esta que no te olvida. Maruja"
   Não sabemos agora qual destas é a enamorada. O segrêdo ficou bem guardado. 
   Acreditamos que será numa destas várias viagens à Espanha que surgirá a idéia de trabalhar com as fotos esmaltadas que lhe trarão o reconhecimento..
Mas isso é história para outra hora...

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